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Produção de Conteúdos  
 
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Passagem

fronteiraIdealmente um grupo, factualmente uma constelação móvel de uma mão cheia de autores individuais; Zebra (de passadeira) é um nome articulado para simplificar relações de reconhecimento com o possível espectador e com as instituições que possam e manifestem interesse em produzir ou financiar os projectos que regularmente apresentamos.

Debruçados sobre as problemáticas e discussões em torno dos fenómenos da construção narrativa nos registos prioritários da poesia, literatura e artes plásticas; desde 1999 a veia principal de extracção de argumentos tem sido trabalhada através das linguagens do filme e do vídeo. É da nossa metodologia procurar através da abordagem documental, utilizando as suas práticas e pressupostos para criar discursos que, do seu apego a um conceito sempre ambíguo de “real”, acabam contínua e deliberadamente por ser discursos sobre o próprio percurso do olhar e ter o seu centro em quem faz (em quem o diz). Embora exista uma afinidade conceptual nos nossos objectivos e pressupostos criativos que nos permite falar de um grupo, o trabalho desenvolvido é, por norma, pessoal e individual. O grupo é um sistema de organização que se explica nas exigências da técnica e da dimensão dos projectos aos quais nos dedicamos, mas que passou, entretanto, a constituir-se como prática metodológica e estratégia institucional. Desde as fases da estruturação conceptual das primeiras linhas de intenção, passando pela organização do trabalho de campo, à prática criativa da montagem, a obra vídeo ou o edifício filme são, finalmente e na sua essência, construções narrativas de síntese do trabalho de análise e criação produzido por uma equipa. Foi assim que nos propusemos um grupo; cada um competindo co-operativamente num registo interdisciplinar para a conclusão de um projecto que se objectiva perfeitamente nos conceitos dinâmicos de equilíbrio da visão e confronto com o real humano, social e político que escolhemos como tema de uma proposição.

Entre as nossas estratégias operativas, muito para além da sustentação bibliográfica e do estudo individual do tema, conta tremendamente o processo de incorporação do observador no objecto e o registo sistemático das transformações operadas em ambos como consequência da alteração da distância. Como a articulação deste mecanismo não é imposta ou obrigatória a todos os membros da equipa e os que o fazem raramente progridem à mesma velocidade, conseguimos ter um registo em que vários observadores participam de pontos diferentes nos processos de definição e localização do objecto, dados que serão fundamentais na fase de distanciamento e discussão argumentativa que implica a construção do texto final, a montagem.

Confrontados e contaminados pelo nosso tempo, pela progressiva abstractização da imagem produzida pelos fenómenos repetição e excesso e pela rápida amplificação da latitude do seu conceito, é o nosso projecto procurar exaustivamente neste campo possibilidades novas para a estrutura narrativa experimentando metódica e repetidamente. Depois de produzirmos dois projectos[1] essenciais que geraram até agora cinco objectos finais[2], é nossa intenção extremar o uso da linguagem e radicalizar a montagem do discurso, seja através da importação de novas formas ou através do corte definitivo com o conceito implicado em documental para passarmos a contemplar unicamente a distância relacional entre o autor/sujeito e o real/objecto.

 

 


[1] O primeiro projecto focou-se numa reflexão e investigação sistemática sobre o campo da produção cultural, da qual resultou, como objecto principal, “A Cor da Arte”(1999-2000); o segundo incorporou um trabalho sobre formas diferenciadas da realidade urbana, concretizado nos vídeos “Fronteiras” (2003) e “Teresa”(2003). 

[2] Os títulos e respectivos anos de produção dos cinco objectos videográficos são: “A Cor da Arte” (1999-2000); “Amar-te” (2001 – 2002); “Fronteira” (2002-2003); “Teresa” e “Via Santa Catarina” (2003)